sexta-feira, 14 de junho de 2013

Eike: Porto do Açu, articulação reservada na Petrobras e ações da OGX em queda

O governo pensa algum tipo de socorro às empresas de Eike Batista, que sempre foi citado como empresário símbolo de prosperidade da economia brasileira

eikepor Fabiano Venâncio

A cada notícia sobre um eventual colapso das empresas do grupo X, do megaempresário Eike Batista, as cidades de Campos, São João da Barra e outras da região começam a se preocupar com o futuro do Porto do Açu, que passou a ser uma esperança de fonte de empregos e desenvolvimento para a região. O governo Dilma Rousseff também já demonstrou preocupação com as empresas do grupo X.

Esta semana, mais uma informação sobre a queda na cotação das ações da petroleira de Eike, a OGX. De R$ 11,31, no seu lançamento em 2008, à humilhante cotação abaixo de R$ 1, ontem. Os papéis fecharam em alta de 0,96%, a R$ 1,05, depois da cotação de R$ 0,97.

Na mesma semana em que deixou a lista dos 200 maiores bilionários do planeta, da revista ‘Forbes’, e de ver ações começarem a despencar, as ações desceram ao seu mais baixo patamar desde que estrearam na Bovespa, há cinco anos. Eike informou ontem que não tem intenção de vender mais ações.

superporto açuArticulação reservada para salvar porto

A utilização do superporto do Açu pela Petrobrás vem sendo discutida reservadamente pelo comando da petroleira. Não há na costa fluminense nenhum porto disponível com capacidade apropriada para servir de base à produção do pré-sal da Bacia de Campos. O porto inicialmente previsto, a ser construído em Maricá, enfrenta objeções ambientais por parte de setores do governo estadual.

Além da questão logística – o porto do Açu é o mais próximo aos campos petrolíferos de Campos -, um outro fator, talvez mais importante até, aproxima a Petrobrás ao futuro porto controlado pelo megaempresário Eike Batista: o governo Dilma Rousseff está preocupado que um eventual colapso das empresas do grupo X possa afetar a imagem do Brasil no exterior e minar a disposição dos empresários de investirem no País.

Há uma discussão interna quanto até onde o governo pode ir para ajudar o empresário a superar a crise. Uma proposta é a Petrobrás assumir o Açu, o que, de acordo com a avaliação de alguns dos que estudam o assunto no governo, impulsionará os investimentos do grupo X.

Em 19 de março, o diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, José Formigli Filho, sem dar detalhes da negociação, afirmou que o emprego do Açu como base do pré-sal está em estudos pela petroleira, assim como áreas no Espírito Santo, no litoral sul do Rio e na costa paulista.

Após dias seguidos de queda, as ações da OGX conseguiram nesta segunda-feira uma recuperação considerada excelente. As ações da OGX, a petroleira de Eike, chegaram a registrar queda superior a 13%, mas fecharam o dia com decréscimo de pouco mais de 1%. Em um ano, as ações da OGX caíram 88,5%. Em um mês, 46%.

Uma fonte do governo afirmou que ainda não está decidido o tipo de socorro às empresas do grupo X. “Não significa que o governo vai ajudar, mas de fato há uma preocupação grande do governo com o Eike. O problema dele pode afetar a imagem do Brasil”, comentou.

Eike, por muito tempo, foi indicado pela imprensa nacional e estrangeira como empresário símbolo da prosperidade da economia brasileira. Mas as empresas do grupo têm sofrido forte queda no mercado por conta da desistência de parceiros estrangeiros em seus projetos.

Em 2012, a siderúrgica chinesa Wuhan Iron and Steel Corporation (Wisco), desistiu da parceria com a MMX no Açu, onde montariam um complexo siderúrgico. A estatal da China alegou que Eike não construiu a infraestrutura necessária (ferrovias e terminais portuários) para garantir o projeto.

Eike esteve em Brasília recentemente para conversar com Dilma. Este ano, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, foram acusados por parlamentares de tentar transferir o estaleiro da companhia Jurong (Cingapura), projetado para o Espírito Santo, para o Açu, como forma de ajuda a Eike.




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