sábado, 29 de abril de 2017

Cabral admite que usou caixa 2 para comprar jóias e ternos de grife



O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral admitiu em depoimento ao juiz Sergio Moro, nesta quinta-feira, que usou para benefício próprio dinheiro de caixa 2 destinado para abastecer sua campanha eleitoral ao governo do Rio. Ao ser questionado por sua defesa se teria usado os recursos para comprar algumas das mercadorias citadas no inquérito – como termos de grifes e jóias -, Cabral disse que sim e que tal prática “é um fato da vida nacional”.

– Vossa Excelência tem ouvido aqui muitas observações a respeito de caixa 2, sobras de campanha. Isso é um fato. É um fato da vida nacional. Reconheço esse erro. São recursos, recursos próprios e recursos de sobra de campanha, de caixa 2. São com esses recursos, nada a ver nem com a minha mulher e muito menos a ver dessa acusação de Comperj – disse ele, negando que tivesse recebido dinheiro de propina referente ao esquema de corrupção no complexo.
Abatido, mas algumas vezes sem esconder o sorriso, o ex-governador disse defender o debate que se faz hoje contra o caixa 2 nas campanhas:
– Acho até que o trabalho feito nesse momento de ter uma outra visão sobre financiamento de campanha, como financiar as campanhas eleitorais… A questão democrática é vital, fundamental. Eu não posso negar que houve uso de caixa 2 e uso de sobras de campanha, de recursos, em função de eu ter sido um político com desempenho eleitoral forte no estado. Esses fatos são reais.
Por orientação de seus advogados, Cabral ficou em silêncio quando questionado pelo juiz e pelo procurador Athayde Ribeiro Costa. Moro formulou três perguntas, e o procurador, apenas uma.
— O senhor está arrependido das condutas que cometeu? — perguntou Ribeiro Costa.
Em sua resposta, o ex-governador afirmou que iria apenas responder às perguntas de seus advogados.
Moro optou por fazer suas perguntas mesmo após o advogado de Sérgio Cabral afirmar que o ex-governador não as responderia. Inadvertidamente, Cabral respondeu a primeira pergunta de Moro, se havia cobrado valores indevidos da empreiteira Andrade Gutierrez.
— Não é verdade — respondeu Cabral.
O interrogatório, que durou meia hora, foi ocupado boa parte pelas perguntas formuladas pelos advogados. Em sua defesa, Sérgio Cabral afirmou que seu governo tinha uma relação muito difícil com a Petrobras, em razão de várias ações judiciais entre o Governo do Estado e a empresa. Questionado sobre sua relação com o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, que teria autorizado os pagamentos de propina a Cabral, respondeu que era apenas institucional:
— Jamais tratei de qualquer assunto de apoio a campanha com o senhor Paulo Roberto. Jamais solicitei a ele qualquer tipo de apoio financeiro.
Ex-primeira dana nega gastos pessoais com dinheiro de propina
A ex-primeira-dama Adriana Ancelmo negou ter feito gastos pessoais para compras de bens de luxo com dinheiro de propina do esquema de corrupção da Petrobras. Em depoimento nesta quinta-feira ao juiz Sergio Moro, em Curitiba, Adriana Ancelmo afirmou que custeou a compra de oito vestidos de grife por R$ 56 mil com recursos de seu escritório de advocacia.
As informações são do advogado de defesa Renato Moraes. Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, também prestou depoimento, mas seu advogado não falou após a audiência. Moraes afirmou que a ex-primeira-dama alegou que despesas feitas para a cozinha da residência do casal, também atribuídas pela Lava-Jato como sendo fruto de vantagens indevidas, foram custeadas com recursos de Cabral.
– Ela ( Adriana) respondeu a todas as perguntas refutando os fatos. Ela não tem nenhuma participação na denúncia sobre o Comperj e não conhece os executivos que são apontados na denúncia. Ela não deixou nada sem esclarecimento. Os gastos narrados na denúncia foram pagos com recursos próprios do marido. Nao tinha nenhuma relação com a Petrobras – disse o advogado.
Cabral e Adriana são acusados de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. Na denúncia, o Ministério Público Federal afirma que Cabral recebeu R$ 2, 7 milhões em propina. O valor equivaleria a 1% de repasse de contratos de terraplanagem da construtora Andrade Gutierrez, no Comperj. As quantias foram acertadas em reuniões que ocorreram no Palácio Guanabara, sede do Governo do Estado.
 

Fonte: Extra 

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