sábado, 24 de agosto de 2013

Clínica de Reabilitação completa um ano resgatando vidas em Campos-RJ

 

Filosofia imprimida no espaço permite o autoconhecimento ao dependente químico
 

 


“Nenhuma outra clínica pública ou particular é igual a essa aqui” é assim que o psiquiatra, Leonardo Pires, definiu a Clínica de Reabilitação Geremias de Mattos Fontes, que completou um ano de trabalhos em julho. Instalada no antigo Hotel Fazenda Pedra Lisa, em Morro do Coco, o predomínio de árvores e flores ao redor do espaço, faz com que ele seja ainda mais especial.



De acordo com Leonardo a clínica possuiu uma infraestrutura que clínicas particulares não possuem. “Esse lugar aqui é maravilhoso, além da estrutura, o trabalho realizado aqui é excelente, os pacientes mesmo falam isso. Imagina, aqui funcionava um hotel fazenda, então os pacientes desfrutam do mesmo espaço que um hóspede do hotel desfrutaria. Com a experiência de 13 anos que eu tenho, posso afirmar que essa clínica aqui é a melhor que eu já vi”, elogia.
Com pouco mais de um ano de trabalhos, a clínica já atendeu cerca de 415 pacientes e a coordenadora, Elen Fontes explica que o local tem espaço para atender cerca de 40 pacientes, mas que atualmente só conta com 26. “Nós temos um espaço ótimo aqui, hoje temos vagas para cerca de 40 pacientes, mas só temos 26 internados. Sentimos falta de mais pacientes, é um lugar muito grande, com muitos profissionais competentes que podem atender bem mais pacientes”, comenta.
O local conta com uma equipe multidisciplinar formada por médicos, fisioterapeutas, pedagogos, psicólogos, terapeutas familiares, professores de artes e de educação física, nutricionista, enfermeiros, assistente social, entre outros.
Elen conta como é realizada a chegada do paciente e o tratamento que ele recebe. “Os pacientes passam por uma triagem no Caps AD antes de chegarem aqui, depois é feita a internação que dura 45 dias e os internados recebem diversos tratamentos, entre eles psicoterápicos e até medicamentosos, quando necessário”, afirma a psicóloga.
Ela ainda comentou que o objetivo do tratamento é fazer com que os pacientes adquiram autoconhecimento, estimulando a autonomia, fazendo com que eles compreendam sua dependência, além de fomentar no paciente a aquisição de consciência de que tipo de vida querem seguir após a reabilitação.

A coordenadora acrescenta que a internação não é o tratamento, mas sim um pontapé inicial para que o dependente químico entenda suas reais condições. “O tratamento não é a internação, aqui é o início do tratamento. Aqui nós fazemos um trabalho de conscientização, de autoconhecimento. O tratamento mesmo é feito fora daqui, quando o paciente está em contato com suas circunstâncias da vida dele. É uma internação de informação, depois ele estará mais preparado para escolher o que ele realmente quer e não o que a droga o submete”, afirma.
A clínica faz parte de uma ONG, a Comunidade S8, fundada em 1971 em Niterói. A associação possui mais duas clínicas de reabilitação, em São Gonçalo e em Santa Cruz; uma escola de educação infantil e ensino fundamental, a Escola S8, e um espaço com atividades extraescolares, oferecido para crianças e adolescentes atividades como esportes em geral, além de informática, balé, canto, entre outros.
A internação é voluntária, ou seja, o dependente precisa querer fazer o tratamento. Existe um projeto para que aconteça a internação compulsória. “Existe a necessidade de fazer as internações compulsórias, mesmo que não seja nossa filosofia. Mas nós entendemos que é melhor internar uma pessoa do que deixar ela em condições lamentáveis”, ressalta a coordenadora.
Pacientes que desejam realizar o tratamento devem procurar o CAPS AD que fica na Rua José do Patrocínio, 102, no Centro de Campos. O telefone de contato é 2726-7749.

 

 





Postado por: Valquíria Azevedo

Fonte: Stella Freitas

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