sábado, 28 de abril de 2018

Brasil tem 13,6 milhões de desempregados




País registra queda no rendimento dos trabalhadores e o menor número de empregos formais nos últimos seis anos; diz pesquisa do IBGE;

O Brasil encerrou o primeiro trimestre deste ano com taxa de desemprego de 13,1%, a mais alta desde maio do ano passado. O desemprego afeta milhões de pessoas em meio ao aumento da dispensa de trabalhadores e diante de uma economia que vem mostrando menos força do que o esperado.

O número de trabalhadores formais também recuou e foi ao menor nível em seis anos, ao mesmo tempo em que a renda também perdeu força. A taxa de desemprego na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua havia ficado em 11,8% no quarto trimestre de 2017 e 12,6% nos três meses até fevereiro, mostrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (27).

Com isso, o desemprego do primeiro trimestre é o mais elevado desde o período encerrado em maio passado, de 13,3%, e ficou acima da expectativa em pesquisa da agência Reuters, estimada em 12,9% agora.

“O Brasil continua em crise econômica, com crise política e novidades a cada dia. Essa configuração gera instabilidade no mercado de trabalho, que não está tendo força suficiente para efetivar no primeiro trimestre a entrada desses temporários (de final de ano)”, explicou o coordenador do IBGE, Cimar Azeredo.

“O cenário econômico tem que estar bastante aquecido e com muita credibilidade perante os investidores para abrir vagas, e não se vê esse processo”, completou.

QUEDA NO RENDIMENTO

No primeiro trimestre, o país tinha 13,689 milhões de desempregados, ante 13,121 milhões nos três meses até fevereiro e 12,311 milhões no quarto trimestre de 2017, alta 11,2%. Já o contingente de pessoas ocupadas no período era de 90,581 milhões, de 91,091 milhões no trimestre até fevereiro e queda de 1,7% sobre o quarto trimestre, quando eram 92,108 milhões.

Ao mesmo tempo, o contingente de empregados com carteira assinada atingiu no primeiro trimestre o menor patamar da série iniciada em 2012, com 32,913 milhões de pessoas, queda de 1,2% no primeiro trimestre sobre o quarto e de 1,5% sobre o mesmo período do ano passado.

O rendimento médio do trabalhador, ainda segundo a Pnad Contínua, foi de R$ 2.169 nos três meses até março, sobre R$ 2.173 no quarto trimestre.

A dificuldade da economia de engatar movimento sustentado de alta vem levando economistas na pesquisa Focus do Banco Central a reduzirem suas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano a 2,75%. Até pouco tempo atrás, elas estavam em 3%.

*Agência Reuters

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