Atualmente, médicos tratam no consultório pacientes magros por fora, mas gordos por dentro
Magro por fora, gordo por dentro. A inexistência de gordura aparente não significa que o indivíduo está livre das doenças da obesidade. Atualmente, médicos tratam no consultório pacientes com TOFI (ThinOutside, Fat Inside), ou seja, um indivíduo com peso normal, segundo o critério de Índice de Massa Corporal (IMC) - que relaciona peso e altura -, mas que se alimenta mal do ponto de vista de qualidade, ingerindo gordura e açúcares em excesso e sem praticar exercícios físicos.
A endocrinologista Patrícia Peixoto explica que o termo TOFI é utilizado porque o paciente, ao ser avaliado (por ressonância magnética, bioimpedância e circunferência abdominal), apresenta gordura corporal aumentada, em geral concentrada no abdômen, e o percentual de massa muscular pode estar reduzido.
Essa falsa magreza pode ser considerada mais perigosa porque a pessoa tem a falsa ideia de que está bem, uma vez que não é classificada como obesa ou com sobrepeso. Com isso, não toma as providências para modificar hábitos de vida ou procurar um médico.
“Estas pessoas acabarão sendo surpreendidas com alguma doença já instalada e isso é preocupante. Um dos estudos sobre este tema mostrou que 50% daqueles ditos saudáveis quando se considera o peso podem ser considerados obesos por falta de massa muscular adequada e por excesso de gordura corporal”, detalha a médica.
A gordura corporal elevada fica concentrada ao redor dos órgãos, como coração, fígado e pâncreas, podendo provocar diabetes, doenças cardiovasculares, elevação de colesterol, inflamação,pressão arterial elevada, alguns tipos de câncer e alterações hormonais com produção aumentada de insulina, níveis elevados de testosterona em mulheres e produção reduzida de testosterona nos homens.
Perigo ronda crianças
As crianças não estão livres do problema, fruto da má alimentação e do sedentarismo. A endocrinologista Patrícia Peixoto conta que, para avaliar crianças e também adultos, é feita a medida da circunferência abdominal. Esta medida varia de acordo com a faixa etária nas crianças. Outra forma de diagnóstico é o exame de bioimpedância, que é simples, sendo feito no consultório. Além disso, exames laboratoriais mostram sinais de infiltração de gordura no fígado, além de outras alterações no metabolismo da glicose e do colesterol.
As crianças não estão livres do problema, fruto da má alimentação e do sedentarismo. A endocrinologista Patrícia Peixoto conta que, para avaliar crianças e também adultos, é feita a medida da circunferência abdominal. Esta medida varia de acordo com a faixa etária nas crianças. Outra forma de diagnóstico é o exame de bioimpedância, que é simples, sendo feito no consultório. Além disso, exames laboratoriais mostram sinais de infiltração de gordura no fígado, além de outras alterações no metabolismo da glicose e do colesterol.
“Outro indicativo deste tipo de gordura, que chamamos de visceral, é a presença de gordura no fígado em exames simples, como ultrassonografia. Um fígado gorduroso em geral indica que há infiltração de gordura em outros órgãos”, ressalta.
Fatores de risco para a doença
-Tendência a ganho de peso no abdômen (pessoas com corpo tipo maçã);
-Uso excessivo de comidas processadas ou ultraprocessadas, que são ricas em aditivos, estabilizantes, edulcorantes, realçadores de sabor, gordura saturada e trans;
-Dieta com baixa densidade nutricional, ou seja, rica em calorias vazias, como doce e refrigerante;
- Alto consumo de álcool;
- Uso de alguns medicamentos;
- Dietas muito restritivas e que podem levar à recuperação do peso como gordura;
-Sedentarismo;
-Estresse;
-Falta de sono adequado.
O tratamento é o mesmo da obesidade, com ênfase na melhora do padrão alimentar e no exercício físico regular, que são muito eficazes em reduzir a gordura visceral. Individualmente, outras medidas também devem ser consideradas, de acordo com a orientação de um profissional capacitado.
Alimentação saudável não mata só a fome, ela nutre
A médica Patrícia Peixoto lembra que a educação alimentar deveria ser adotada desde a escola, para atingir as crianças, que poderiam ajudar a mudar hábitos dos pais.
A médica Patrícia Peixoto lembra que a educação alimentar deveria ser adotada desde a escola, para atingir as crianças, que poderiam ajudar a mudar hábitos dos pais.
“Uma orientação nutricional bem feita é bem-vinda, com o cuidado de se manter o equilíbrio, porque uma vigilância exagerada em relação ao que se come pode trazer angústia, ansiedade e dificuldade de adesão em longo prazo às mudanças alimentares necessárias. O mais importante é que essas pessoas que acreditam estar bem por não serem obesas sejam identificadas e tratadas”, frisa.
A profissional orienta que a alimentação saudável é aquela que prioriza alimentos naturais, como grãos, hortaliças, verduras, legumes, frutas e proteína de origem animal. É importante não esquecer o consumo de leite e derivados, com o cuidado de que este deve ser evitado ou não usado somente por aqueles que tenham diagnóstico médico comprovado de intolerância a lactose ou alergia.
“É preciso haver variação na dieta, sempre comendo por fome, e não por vontade de comer. Os vilões são os alimentos altamente processados e que são consumidos diariamente. O consumo excessivo é o que vem adoecendo nossas crianças”, afirma.
Prato saudável - Segundo a médica Patrícia Peixoto, o almoço e o jantar têm que ter arroz e feijão, combinação rica em nutrientes e energia. Para ela, o uso do arroz integral é ainda melhor. Também é importante variar no tipo de feijão ou, se preferir, substituir por ervilha e lentilha.
O prato tem que ter vegetais verdes, uma salada bonita e um fio de azeite extravirgem. Batata, inhame e batata-doce não são legumes, são tubérculos. Se forem usados, eles têm que entrar como substituição ao arroz. Como proteína, uma carne (vermelha magra, branca ou peixe) grelhada completa o prato.
No lanche da escola- As frutas sempre têm que estar presentes na lancheira das crianças, de preferência as frutas da estação. Também é aconselhável suco natural da fruta, de preferência sem adoçar ou adoçando pouco com açúcar mascavo ou demerara (pingar quatro gotas de limão não altera o sabor e faz com que acidifique mais devagar). Milho cozido e um pãozinho integral com pastinhas naturais ou geleia natural de frutas completam o lanche.“O que não enviar para a escola: refrigerante, guaraná natural, biscoitos recheados, balas, doces, bolos com recheio e cobertura, salgados”, aconselha a médica.
Francislaine Cavichini

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