quarta-feira, 8 de março de 2017

A política sob a ótica delas

Carla Machado Prefeita de São João da Barra 
Francimara Barbosa Lemos Prefeita de São Francisco de Itabapoana
Fátima Pacheco Prefeira de Quissamã





















Christiane Cordeiro  Prefeita de Carapebus

Em um mundo em que, até bem pouco tempo, era predominantemente masculino, a mulher vem galgando espaço cada vez maior. Desde 1932, quando foi instituído o voto feminino no Brasil até hoje foram muitas as representantes eleitas, mas em um número muito inferior ao de homens. Presidentes da República, por exemplo, 39 homens e apenas uma mulher — Dilma Rousseff (PT), que sofreu impeachment em agosto do ano passado. Em nível municipal, até o ano passado, a região tinha, apenas, a prefeita Rosinha Garotinho (PR). Agora são quatro prefeitas: Carla Machado (São João da Barra), Francimara Barbosa Lemos (São Francisco de Itabapoana), Fátima Pacheco (Quissamã) e Christiane Cordeiro (Carapebus). Este último município tem uma peculiaridade: além da prefeita, são mulheres a vice, Marinete Manhães Possidonio Pinto, e a presidente da Câmara, Tânia Maria Cabral.
Primeira vez eleita, Christiane Cordeiro diz que é positivo o crescimento da participação feminina na política.
— A mulher, como em qualquer outra atividade predominantemente masculina, vem a cada dia ocupando mais espaço na política e isso é muito positivo, pois a natureza feminina é dotada de dons muito peculiares que agregam valores no modo de governar — afirma a prefeita de Carapebus.
Ela acrescenta que, com sua equipe mista, não sentiu preconceito. “Eu, juntamente com minha equipe, composta por homens e mulheres, até aqui não senti qualquer peso nessa desigualdade. E hoje, assessorada por meu marido (Eduardo Cordeiro), ex-prefeito de Carapebus, posso me dedicar ao exercício da gestão pública, coisa que há alguns anos não pude fazer ao seu lado, por entender que sendo ele homem público e comprometido, optei por dar prioridade à criação dos filhos pequenos, sem deixar de apoiá-lo em seu governo”, conclui.
A vice-prefeita concorda. “A mulher tem que participar de tudo, pois tem mais visão e tranquilidade para resolver as coisas, com jogo de cintura. A mulher tem que estar em todas as áreas, tem que participar de tudo. Graças a Deus fui muito bem recebida. Eu e Christiane tivemos muita aceitação no meio da política. A gente ganha as coisas no sorriso”, garante.
Ex-secretária e ex-vereadora, Fátima Pacheco é a primeira prefeita de Quissamã. Em entrevista anterior, ela disse que a responsabilidade de bem governar é a mesma, independentemente do gênero, tradição familiar ou partido político.
Preconceito superado com muito trabalho
Os municípios da foz do Paraíba, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana estão sendo governados por mulheres. Carla Machado assumiu pela terceira vez o cargo, enquanto Francimara Barbosa Lemos é estreante.
Ambas dizem que as dificuldades são muitas, mas estão sendo vencidas. Sobre preconceito, Carla conta que, no início de sua carreira política, houve bastante. “Quando vim candidata a vereadora, em 1996, sofri preconceitos de alguns mais antigos da política local, mas os superei e fui a segunda mais votada para o Legislativo, tendo sido a primeira mulher presidente de Câmara da região Norte. Em 2000 e 2004, quando vim candidata a prefeita pude contar, segundo pesquisas, com um apoio maior dos homens, o que de certa forma me deixava incomodada, já que eu achava que como mulher eu teria que ter mais apoio da minha classe. Na minha reeleição em 2008 isso mudou”.
Já Francimara diz que a questão do preconceito na sociedade ainda é forte, e não é só nos partidos. “Seria algo relacionado a essa questão mais machista de que a política estaria mais relacionada ao público masculino por conta de algumas características próprias do meio”.
Pontos positivos e negativos da era Dilma
Não só prefeitas ou governadoras. No cargo mais alto do Executivo, o Brasil elegeu, em 2010, Dilma Rousseff (PT), reeleita quatro anos depois. Mas, levada pela Lava Jato, pedaladas e crise econômica, a presidente sofreu impeachment em agosto do ano passado.
Para o cientista político Hugo Borsani, o legado de Dilma é mais negativo que positivo para a imagem da mulher na política brasileira. E destaca: “Em primeiro lugar ela não foi eleita por força política própria (sua dificuldade para o debate público e a comunicação de ideias era notória), mas por ser a escolha do ex-presidente Lula, este sim dono de um grande carisma político com capacidade de transferir seus votos e apoios. Se bem foi reeleita, o foi por uma diferença mínima e não conseguiu manter sua base de governo, gerando conflitos até com seu próprio partido político, dando mostras de grande falta de capacidade de condução em situações políticas e econômicas desfavoráveis”.
O professor acrescenta: “A recessão econômica e o alto desemprego são marcas fortes do resultado da sua gestão e certamente não favorecem seu legado. A seu favor, a imagem de mulher honesta, sem denúncias de enriquecimento ilícito, algo a destacar no atual panorama político brasileiro, porém insuficiente para reverter o saldo negativo de sua passagem pela presidência”.

Fonte Folha da Manhã

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